- Qual é o quarto dele?
Para sustentar tamanha petulância, só mesmo um decote da mesma extensão! Foi apenas quando se debruçou ligeiramente sobre o balcão de atendimento e percebeu a expressão do rosto do recepcionista afrouxar ao admirar o conteúdo do decote da blusa que usava, que se encheu de volúpia e fez a pergunta.
- 48.
Se soubesse que seria tão fácil, não teria enrolado os longos cinco minutos de conversa com aquele sujeito! Exibiria-me de uma vez! Todo mundo tira proveito de suas qualidades, então, que mal há se a causa é nobre?
Encostou o dedo indicador nos lábios pintados de vermelho e jogou-lhe um beijo de agradecimento.
Nunca hesitara tanto para apertar o botãozinho do andar. Segurou-se para conter o desespero de ver a porta do elevador fechar-se. Sentiu frio na barriga quando começou a subir. Pior foi jogar-se pra fora dele quando a porta abriu e deu de cara com a plaquinha informando o número do quarto na porta a sua frente: 48.
Virou-se decidida a retornar para o elevador, e até daria tempo de entrar se não tivesse ficado paralisada no meio do caminho ao ouvir o trinco girando. E em um impulso, voltou a ficar de frente para a porta do quarto 48, já aberta, escancarando Lucas a sua frente.
Depois de um dia inteiro de saudade, depois de um dia inteiro pensando nele, depois de um dia inteiro sem vê-lo, lá estava ele: inteiro.
Mais de 1,80 de massa, o jeito de menino do rio, cabelos negros levianamente desgrenhados, olhos sempre sorridentes, puxadinhos, serenos, tão negros quanto os cabelos, boca largar, grossa, carnuda, a barba por fazer, o brinco de argolinha, a camiseta pólo de marca contrastando com a simplicidade da calça jeans surrada, a maldita correntinha!
Mecanicamente prendeu o lóbulo de sua orelha entre o polegar e o indicador, apertando uma das sementes de mostarda. Sim, a acupuntura ajudava-lhe a manter a ansiedade um ou dois degraus mais baixos.
- Eu vou sufocar! - o jeito era falar a verdade - Não aguento mais! Sou claustrofóbica! - mais com algumas precauções - Estou me sentindo enjaulada nesta fazenda! Você não está se sentindo assim também?
Ele jogou a cabeça para trás, sorriu.
- Estou. Por isso chamei um táxi pra me levar pra cidadezinha mais próxima pra jantar. Quer ir comigo?
Amanda ofereceu-lhe o braço de um jeito brincalhão e da mesma forma o braço dele o enlaçou.
Quem fizera o convite a quem?